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Exposição a altas temperaturas traz riscos.

1/3/2010

Exposição a altas temperaturas traz riscos.

Fonte: Revista Proteção especial para Alpargatas

O calor cada vez mais intenso do verão vem causando casos de mal-estar entre trabalhadores. O que chama a atenção é o fato de que, entre esses profissionais, não estão somente aqueles que trabalham em indústrias consideradas de risco como, por exemplo, siderúrgicas, mas também aqueles que atuam em pavilhões industriais despreparados para dias demasiadamente quentes. Nesse caso, é necessário que a empresa reavalie os métodos de proteção coletiva e individual e a forma de avaliação dos limites de tolerância para a exposição ao calor, considerando as orientações da NR 15 e do manual da ACGIH (American Conference of Governmental Industrial Hygienists) e também as especificidades de cada processo e ambiente laboral.

AMBIENTES

Trabalhadores que atuam ao ar livre estão diretamente expostos aos raios solares e, consequentemente, a altos níveis de calor. Para evitar queimaduras e doenças de pele é necessário avaliar o período de tempo que cada profissional pode ficar exposto de acordo com o IBUTG (Índice de Bulbo Úmido-Termômetro de Globo). “Avaliei diversos casos de câncer de pele em trabalhadores expostos ao sol e, em alguns, ficou claro o nexo ocupacional. É ideal que as empresas protejam seus funcionários com roupas, chapéus e filtro solar (mesmo que este não seja ainda reconhecido como Equipamento de Proteção Individual)”, afirma o perito judicial e médico do Trabalho Ramón Sabaté Manubens. É fundamental analisar também o metabolismo do trabalhador de acordo com sua função, incentivá-lo a hidratar-se e realizar pausas para recuperação ao longo do dia.

No ramo industrial, é importante que cada empresa monitore a temperatura interna, adequando-se estruturalmente para manter o conforto térmico. “Em caso de calor excessivo há várias medidas coletivas a serem implementadas: sistemas de ventilação que insuflem ar dentro do ambiente fabril; ventiladores com injeção de água ou focados nos trabalhadores; telhado coberto com manta asfáltica e alumínio refletivo; proteção térmica na parte interna do telhado e ventilação natural cruzada, provocando uma corrente de ar através de aberturas amplas”, explica o engenheiro industrial e de Segurança do Trabalho Rudolf Nielsen.

EFEITOS

A sobrecarga térmica afeta diretamente a capacidade produtiva e a saúde podendo causar tontura, perda de sódio e, em casos extremos, desidratação aguda. Pode haver também intermação, caso a alta temperatura esteja combinada a uma elevada umidade relativa do ar e falta de ventilação, fazendo com que o profissional transpire sem permitir que o suor evapore. No caso dos trabalhadores, é necessário que, antes da contratação, ele passe por testes de capacidade aeróbica, além do exame clínico geral. “Nas revisões médicas periódicas, é indispensável a verificação do estado de hidratação, uma vez que é muito comum a ocorrência de desidratação crônica; e a medição da pressão arterial, pois indivíduos que apresentam hipertensão leve podem ter aumento na pressão”, finaliza o médico do trabalho Hudson Araújo Couto.

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